Fecham-se os dedos donde corre a esperança,Toldam-se os olhos donde corre a vida
Porquê esperar, porquê, se não se alcança
Mais do que a angústia que nos é devida?
Antes aproveitar a nossa herança
De intenções e palavras proibidas.
Antes rirmos do anjo, cuja lança
Nos expulsa da terra prometida.
Antes sofrer a raiva e o sarcasmo,
Antes o olhar que peca, a mão que rouba,
O gesto que estrangula, a voz que grita.
Antes viver do que morrer no pasmo
Do nada que nos surge e nos devora,
Do monstro que inventámos e nos fita.
(Ary dos Santos)
2 comentários poéticos:
Olá Reggina
Realmente um belo poema.
Tenha uma linda semana
Bjux
Reggina: Um lindo soneto de Ary dos Santos grande poeta há canções e fados lindos escritos por ele.
Beijos
Santa Cruz
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